O
ano era 1992. Mês de Janeiro, para ser mais preciso.
O que passava pelas nossas mentes (minha e de Alan Silva)
era fazer um som com influências de Possessed, Death,
Massacre, Celtic Frost, Bolt Thrower, Venom, Sodom, e uma
postura blasfema de ícones nacionais como Sarcófago,
Sextrash, Expulser, Loucyfer... enfim, bandas que idolatrávamos
a alguns anos, porém, não tivemos como extravasar
essa vontade em nossa passagem pelo oitentista Kripta, no
ano anterior.
Agora
era a hora de fazer o que sempre tivemos vontade, mas faltava
o principal: um baterista para completar a formação.
Esse elemento sempre foi escasso em nossa cena underground
aqui do Rio de Janeiro. Felizmente, o problema foi sanado
durante um show do Korzus e RDP no Circo Voador (ou seria
Dorsal Atlântica e RDP? vai saber...) quando, durante
uma conversa e algumas cervejas, surgiu Marcus Vinícius.
Amante das mesmas bandas que eu e Alan e dono de uma técnica
interessantemente auto-didata, permitiu uma afinidade imediata
conosco, e assim foi fundada a primeira formação
da banda. O nome surgiu de um texto em uma HQ Espada Selvagem
de Conan (outra mania nossa). Fundado e batizado, o COLDBLOOD
fez seu primeiro ensaio aproximadamente em Abril do mesmo
ano. As composições tendiam para uma mescla
do Death Metal com o Doom metal, alternando riffs rápidos
e cortantes e outros mais cadenciados e empolgantes com
partes lentas e tétricas, cavernosas e ultra-pesadas.
Toda
história tem seus momentos infelizes. O ano de 1993
é caótico para o COLDBLOOD. Poucos shows,
falta de dinheiro, nenhum retorno por parte das poucas gravadoras
especializadas daépoca, e os problemas internos que
começaram a surgir, culminando na saída de
Alan por conta do chamado das Forças Armadas, e a
baixa de Marcus Vinícius, logo após um show
no Garage, aquele pequeno templo do underground carioca,
que por tantas vezes foi pano de fundo para a saga do COLDBLOOD.
Após algumas formações desencontradas
e tentativas frustradas de retorno, chega o fim em janeiro
de 1994.
Por
6 anos, cada um cuida da sua vida, sendo que Marcus e Alan
criam o Bodhisattva, dando continuidade a suas carreiras,
enquanto o baixista aqui se mantém na obscuridade.
Isso foi até fins de 1999, quando em conversa com
Alan, durante um treino de artes marciais, nossas idéias
se encontraram novamente, e a proposta para o retorno foi
feita a Marcus. Daí para os ensaios foi tudo muito
rápido. Entretanto, a afinidade não era a
mesma, e Marcus se foi novamente para cuidar de outros projetos.
Foi recrutado para seu lugar Eduardo Henrique, o experiente
baterista do Symbolic Immortality, e Gustavo Sazes(que mais
tarde viria a formar o Stormfall) para a segunda guitarra.
Mais um demo, dessa vez utilizando a tecnologia do cd, e
um show, abrindo para os Reis do Death Metal mundial, Krisiun.
O som agora abandonou as partes lentas, e assumiu ares de
Death Metal rápido e brutal, mas com as indispensáveis
influências oitentistas.
A seguir,
Gustavo e Eduardo deixam a banda, que volta a ser um trio
(marca registrada, aliás) e que passa a contar com
a presença de Flávio Krom na administração
das baquetas. Mais 2 shows, e Alan é obrigado a abandonar
a embarcação por questões profissionais,
assim como Flávio, que passa a morar no Paraná.
Nesse momento, eu já havia me tornado Satanachia,
baixista da horda de Black Metal Mysteriis, da qual Alan
também fez parte como Veltis, e também acabou
se vendo obrigado a abandonar.
Poderia
parecer o fim, mas não foi. Após 3 anos, a
fomação original é reunida novamente.
Mais experientes, amadurecidos e certos de seus objetivos,
Alan, Marcus e eu apostamos novamente na velha fórmula
do Metal que nos maravilhou durante a adolescência,
e fizemos a banda voltar à vida, mais agressiva,
crú e bestial que nunca. Com o lançamento
do EP "New Black God", COLDBLOOD retorna triunfante,
empunhando a bandeira do Death Metal, pronto para entrar
em combate e destroçar os pescoços e açoitar
os tímpanos daqueles que ainda acreditam que apenas
a morte é real!